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  Estudo do IBAC confirma que aviação executiva é mais segura que a comercial
  Relatório da Anac prevê colapso em aeroportos
  Aumento de vôos abre debate sobre terceiro aeroporto de SP
 
 
Estudo do IBAC confirma que aviação executiva é mais segura que a comercial
Estudo encomendado pelo IBAC junto à Robert Breiling & Associates, renomada empresa de consultoria na área de seguridade da aviação civil, traçou um quadro muito interessante sobre a Aviação Executiva. Construído a partir de dados de acidentes ocorridos entre os anos de 2000 e 2004, o relatório baseia-se na premissa de uma frota total de 11.799 jatos executivos e 9.785 turbohélices no final do ano de 2001, num total de 21.584 aviões.

Dessa frota 72% encontra-se nos Estados Unidos, 10% nas Américas Central e do Sul e 10% na Europa. As demais regiões do mundo respondem por cerca de 8% da frota total.

Breiling estima que esses aviões voaram, em 2001, um total de 8.776.378 horas e realizaram 6.081.120 decolagens, sendo respectivamente 4.870.564 horas e 3.605.957 decolagens por jatos e 3.905.814 e 2.476.123 por turbohélices.

O relatório contém informações detalhadas sobre número total de acidentes, médias por ano, números por fase de vôo e totais por segmentos de mercado.

A principal conclusão é que a taxa de acidentes com fatalidades por 100.000 decolagens de jatos executivos é de 0,58 para as operações de táxi aéreo, 0,12 para as aeronaves operadas pelos proprietários e de 0,05 para as da Aviação Corporativa, operadas por pilotos profissionais.

Somente a título de comparação a taxa de acidentes por 100.000 decolagens de jatos da aviação comercial é de 0,118 para vôos regulares e 0,232 para vôos não-regulares.

Apesar dos bons resultados apresentados, Breiling faz questão de ressalvar que ainda há espaço para que esses índices sejam melhorados - um dos objetivos da Comissão de Segurança de Vôo que a ABAG deverá instalar neste semestre.
Relatório da Anac prevê colapso em aeroportos
 
Daniel Rittner
Valor Econômico - 4/6/2007

O sistema de infra-estrutura aeroportuária brasileira pode entrar em colapso caso não sejam acelerados investimentos e encontradas soluções para terminais que já superaram a capacidade de operação ou estão à beira da saturação, o que já acontece com Congonhas e Brasília e, no horizonte até 2015, atingirá 19 dos 28 principais aeroportos do país. 

A capacidade de abrigar passageiros nesses aeroportos será superada pela demanda por transporte aéreo, que cresce a taxas chinesas - próximas de 20% nos últimos quatro anos. Até 2025, também os pátios de aeronaves estarão comprometidos em 20 aeroportos. O diagnóstico - que não menciona explicitamente um colapso no sistema - faz parte de relatório da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que está em fase de preparação e cuja versão preliminar foi entregue à CPI do Apagão Aéreo da Câmara. 

Nem mesmo os recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) serão suficientes para fazer frente ao aumento da demanda. A Infraero aponta a necessidade de investimento total de R$ 5,069 bilhões, entre 2007 e 2010, nos 28 aeroportos analisados. Para a Anac, há necessidade de recursos adicionais de R$ 1,771 bilhão. Adequar os aeroportos à nova realidade da aviação no país, porém, esbarra na falta de orçamento. 

Em receita própria, a Infraero terá apenas R$ 3,044 bilhões para investir no quadriênio. Esses recursos serão complementados pelo PAC, que destinará mais R$ 2 bilhões do Orçamento Geral da União para 20 aeroportos. O problema é que, mesmo assim, o dinheiro não chega nem perto do total necessário: R$ 6,8 bilhões, segundo as estimativas da Anac. 

"Há um claro e preocupante descompasso entre o crescimento da demanda por transporte aéreo e os investimentos realizados para fazer frente aos desafios de um setor altamente dinâmico", diz a Anac no estudo, que dará subsídios para a elaboração de um Plano Aeroviário Nacional, em 2008. O PAN vai orientar os investimentos de longo prazo na infra-estrutura aeroportuária. 

A situação mais dramática está em São Paulo. Além da absoluta saturação do terminal de passageiros de Congonhas, que já recebe mais de 17 milhões de pessoas para uma capacidade instalada de 12 milhões, o relatório adverte que as condições de segurança operacional no aeroporto "encontram-se com os parâmetros recomendados comprometidos em diversos critérios, como faixa de pista e áreas de transição e aproximação". 

Com a malha urbana em torno de Congonhas limitando a expansão, a única possibilidade de melhoria é no pátio de aeronaves, que hoje abriga 34 movimentos por hora em 25 posições - 12 pontes de embarque e 13 na área remota (por ônibus). Segundo projeções da Anac, será preciso ampliar a área do pátio de estacionamento em dez posições. 

Em Cumbica (Guarulhos), o pátio de aeronaves dará conta da demanda até 2025, mas todo o resto indica que o aeroporto está perto da saturação. As duas pistas atuais permitem 55 movimentos (pousos e decolagens) por hora, o que será suficiente para atender à demanda projetada para 2010 (54 movimentos na hora-pico), mas não para 2015 (66 movimentos na hora-pico). 

Os dois terminais de passageiros, habilitados para receber 16,5 milhões de pessoas por ano, estão à beira do limite. A construção de um terceiro terminal (em licitação) aumentará a capacidade para 28,5 milhões de passageiros, o que dará um fôlego temporário, mas a demanda ultrapassará de novo a capacidade entre 2010 e 2015 - ano em que se estima a movimentação de 30,7 milhões de passageiros. Ou seja: tudo leva a crer que, no médio prazo, Cumbica vai ser um aeroporto tão desconfortável quanto Congonhas atualmente. 

Para expandir a infra-estrutura aeroportuária em São Paulo, deve-se considerar que "a proximidade e orientação entre as pistas de pouso e decolagem dos atuais aeródromos (...) complicam o gerenciamento do espaço aéreo", afirma a Anac. A agência lembra que "as condições impostas pelo relevo e ocupação de entorno de Guarulhos (...) limitam a futura terceira pista a no máximo 2.100 metros" - extensão relativamente curta para um aeroporto de padrão internacional. 

Para não levar a infra-estrutura do setor ao caos, o estudo sugere a construção de um terceiro aeroporto em São Paulo - cujos custos iniciais de implantação são estimados em R$ 500 milhões, desconsiderando o valor de desapropriações e instalações complexas - ou a ampliação de Viracopos (Campinas), mediante reformas, que precisaria de "acesso condizente com as necessidades e anseios de seus usuários, capaz de ligar aquele aeroporto à cidade de São Paulo, a fim de viabilizar uma integração rápida e eficiente à capital". 

Outras cidades têm situação bastante preocupante. É o caso de Brasília, que se tornou um importante "hub" (centro de distribuição de vôos) para o Centro-Oeste e Norte do país. A segunda pista de pouso e decolagem permite o atendimento da demanda até 2010 e, com ajustes para redução do incômodo causado pelo ruído, talvez até além de 2015. 

No entanto, o grande problema do aeroporto Juscelino Kubitschek é o terminal de passageiros, com capacidade para 7,4 milhões de pessoas, mas que já atende cerca de 10 milhões, "estabelecendo um baixo nível de serviço aos usuários", conforme reconhece a Anac. 

A construção de um segundo satélite (com "fingers" e sala de embarque) e o prolongamento do viaduto do terminal devem aumentar a capacidade para 11 milhões de passageiros. A obra está no PAC e é orçada em R$ 149 milhões, mas dá pouco fôlego: antes de 2010, quando receberá 14,6 milhões de pessoas, o aeroporto já estará novamente saturado. 

Embora a agência não faça menções a isso, uma possibilidade é realocar vôos para o Rio de Janeiro, onde os aeroportos do Galeão e Santos Dumont têm relativa folga. 

O estudo indica que os aeroportos de Vitória e de Porto Seguro também já estão com os seus terminais de passageiros saturados. Em 2010, vão juntar-se a eles os aeroportos de Salvador, Curitiba, Fortaleza e Cuiabá. 

No relatório, a Anac critica o "desmonte das estruturas de planejamento de longo prazo que viabilizam os investimentos no setor de transporte aéreo e sua infra-estrutura". E conclui, provocando aqueles que não admitem a entrada de empresas na administração dos aeroportos: "As restrições do setor público para realizar investimentos em infra-estrutura podem também ser minimizadas através de uma maior participação do setor privado." 

Aumento de vôos abre debate sobre terceiro aeroporto de SP

Cumbica e Congonhas estão perto de limite; estudo diz que outro deve ser construído até 2015

 
Mariana Barbosa
OESP - 19/11/06
 

Com os aeroportos de Congonhas e Guarulhos operando próximos ao limite da capacidade, empresários e especialistas do setor aéreo alertam sobre a necessidade de criação de um terceiro aeroporto na cidade de São Paulo. 'Pelos estudos de previsão de demanda, não há dúvidas de que para 2015 precisaremos de um terceiro aeroporto em São Paulo', afirma o professor de Transporte Aéreo do Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA), Cláudio Jorge Pinto Alves. 'Mas essa discussão precisa começar já, pois a criação de um aeroporto de grande porte pode levar mais de dez anos.'

A grande questão é a localização desse terceiro aeroporto. A Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), que representa empresas de táxi aéreo, defende uma área nas proximidades do Rodoanel. 'Os Trechos Sul e Leste do Rodoanel são regiões que comportariam um aeroporto', afirma o diretor executivo da Abag, Adalberto Febeliano. Já o professor do ITA defende como alternativa algumas medidas que transformem Viracopos, em Campinas, neste terceiro aeroporto. 'O custo ambiental e político de se arrumar uma área para fazer um aeroporto em São Paulo é de tal ordem, que acredito ser mais fácil ampliar Viracopos e tirar do papel o projeto do trem de alta velocidade ligando o centro de São Paulo ao aeroporto de Campinas', defende Alves. Na sua opinião, seria preciso fazer um estudo de viabilidade técnica e econômica das duas alternativas - do trem expresso para Campinas e de um novo aeroporto - para ver o que seria mais factível.

Além de iniciar a discussão sobre o terceiro aeroporto, especialistas afirmam que até a construção propriamente dita serão necessárias ainda medidas de curto prazo para desafogar a demanda, sobretudo em Congonhas, aeroporto mais movimentado do País. Uma medida tida como inevitável é a transferência de boa parte dos vôos de Congonhas para Guarulhos, a exemplo do que ocorreu no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Até agosto de 2004, o Santos Dumont, que tinha capacidade para 3 milhões de passageiros ao ano, recebia 5,3 milhões. O Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim (Galeão) tinha capacidade para 15 milhões, mas estava ocioso, com apenas 5 milhões de passageiros. Ociosidade similar acontecia em Confins, enquanto Pampulha estava superlotado.

'A transferência de um vôo de um aeroporto para outro depende de uma canetada. Mas qualquer decisão precisa ser acompanhada por um estudo de viabilidade econômica, pois não é interesse de ninguém inviabilizar certas rotas', explica Alves, do ITA.

Outra medida de curto prazo defendida pelas companhias aéreas é a diferenciação tarifária entre aeroportos. Para estimular a demanda alguns aeroportos menos movimentados passariam a cobrar tarifas menores das companhias aéreas. 'Congonhas tem vocação para atender ao passageiro de negócios, que é menos sensíveis a preço e portanto poderia cobrar taxas maiores', defende o coordenador do Núcleo de Estudos em Competição e Regulação do Transporte Aéreo (Nectar) do ITA, Alessandro Oliveira. Na sua opinião, a diferenciação de preços pode ser bastante lucrativa para a Infraero. 'Essa diferenciação não irá reduzir a rentabilidade da estatal, na medida em que ela pode compensar o subsídio a um aeroporto de menor demanda com a sobretaxa nos aeroportos mais congestionados.'

 
 
     
 
 
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